terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dois lados de uma moeda, um mesmo valor...

Tony volta da porta de casa em busca de um guarda-chuva ao perceber na hora de sair quão nublado e escuro estava o céu, anunciando a bem próxima chuva. Ao achar um, caminha para a saída quando sua mãe passa por ele resmungando:
- Você só sai quando a chuva está para cair...
- Não, a chuva só cai quando estou para sair.

Tony tinha sua versão, assim como sua mãe, sobre como as coisas sucediam. De fato, eram duas histórias para o mesmo ocorrido de sempre. Chovia quando Tony estava na rua.
Eram dois lados de uma moeda, um mesmo valor, um mesmo fato. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

You want a piece of me - LITERÁRIA, Crítica

Todos querem um pedaço de mim.
Se você fala de Literatura, é a mim a quem você recorre, inevitavelmente. 


De um lado, a academia que tanto me preza, me abraça, me questiona, me joga na parede, de fim me defende em um amor violento. Por outro, o cidadão que fala e fala e fala de mim e me usa num ato inconsciente (?) pra defender um ego em prol de sua imagem ou opinião, acha que eu não tenho nada a ver com a história, me olha estranho e não assume nossa relação. Nem ao menos me aponta, passa do outro lado da calçada pra não dar na vista que temos algo. Eu não queria compromisso mesmo, eu só queria atenção. Queria, pois agora eu quero brilho, eu quero conversar melhor nossas opções.

Eu sei que vocês recorrem a mim, batem na minha porta pelas madrugadas, deixam chamadas no meu celular - eu vejo, tá? tem bina - me olham de soslaio quando passo por vocês, ouço seus cochichos, sinto minhas orelhas quentes e vermelhas, vejo o que vocês escrevem por aí. Tenho meus próprios informantes, fontes altamente confiáveis, acesso fácil e visível. 
Eu não quero mais me despedaçar por vocês e ter minha credibilidade em decadência. Quem vocês acham que são? Meus donos? Vocês não me fazem favor... na verdade, vocês só parecem que não retribuem o favor. Não estou pedindo chocolate, um agradinho qualquer só pra dizer, não, eu quero que você tenha a força de dizer, fala pra esse mundo que você me conhece, que você é meu amigo, que você gosta das minhas conversas, que você sabe do que eu falo, que eu te dou a minha passagem e por vezes minha benção, que eu tento por mil vezes achar aquele que concorde com você, que eu não sou só a base, que eu sou sua coluna. 
Eu quero espaço, eu quero poder respirar melhor, não quero que me sufoque jogado como uma teoria qualquer. Eu exijo respeito. Me faço por respeito, mereço muito mais.

Confesso, muitas vezes fiquei por aí me lamuriando, cantando "Treat Me Right" do Backstreet Boys, achando que eles diziam mais do que eu conseguia, naquela coisa de que quando somos traídos pela própria palavra, nos refugiamos na música, ritmos que embalam através das palavras. Não estou mudando de foco, eu só quero me expressar, posso? Você usou e abusou de suas "vezes", mas e eu? Deixa eu esnobar um pouquinho. Egoísta, eu? Tenho que ser um pouquinho, claro, ou acha que só você tem ego por aqui? 
Tenho meu orgulho também. 
E falar mal ou bem de mim pode até me colocar lá no centro de novo, mas não, não se trata disso. Saiba do que é isso que você quer me apontar, não me repudiem por apoiar os outros, pois eu os apoio também. Os carinhas e as bff que eu consigo lá na faculdade podem até gritar comigo, mas sabem demonstrar amizade. Nem sempre eu vou estar certa, alguém vai ter que apontar o dedo na minha cara, e espero que façam isso, porque os tempos são outros e sempre vão ser mais outros.
Não me arranquem um pedaço e depois cuspam no prato em que comem. 
Estão pedindo pra ser debochados, claro, pois, como podem me utilizar e logo no parágrafo seguinte me detonar? Quer dizer, hello, cadê o senso que vocês se dizem ter? Senso crítico sim. Não me venha com aquele martelinho achando que pode mais. Consciência cadê, né? 


Eu sei, não é só da Britney que vocês querem um pedaço.
E não estou apelando pra esses pop, não preciso tirar palavras dos outros, isso vocês já fazem por mim. A diferença é que eu pelo menos tive a consideração de citar, de fazer referência a quem fez o bom uso da palavra e merece crédito por isso. Mas vai, vai e canta tua Katy Perry, seja um "Hot N' Cold", vá ficar achando que pode me abraçar e "aproveitar" o momento pra me apunhalar nas costas. Experimenta, vai em frente, taque isso nas minhas costas. Foi? E aí, foi bom? Te revigorou um pouco? Pois é, ainda estou aqui. Uma vez criada, não vou sumir fácil não. 
O que eu quero é que você perceba que estou do lado de vocês, tenho muito pra dizer, e vou saber ajudá-los a dizer o que tanto maquina nessas suas cabeças. Poxa, eu estou garantindo isso, te dou opções e chances. Assume logo que você quer um pedaço de mim, caramba. Não precisa ser um estudo aprofundado, só me deixe levá-lo por esses caminhos da palavra e da leitura, nossa amada literatura... posso explicar essas imagens que você cria na cabeça. Muito mais, na verdade. Não tenho, isso eu digo mesmo, toooodas as respostas, mas sei, sei por onde caminhar. Confie em mim.

Todos querem um pedaço de mim, fato.
Se não falam diretamente de minha pessoa, fazem alusão a mim. É, eu consigo me ver bem ali, naquele seu último texto que você postou. Ainda sou boazinha, sei que muitos ficam deslumbrados com essa prática, e, dentro dessa rede de copia e cola, vem o "êêê, gostei, vou fazer também". Não posso culpá-los pela inocência, posso? Façam, admirem, comentem... Saibam usar essa inocência. 
Mas se é pra ter três pedras na mão, preparem-se, eu também vou revidar. E vou rir, na realidade, porque chega a ser engraçado essa história de hipocrisia, escrever e escrever textos por aí falando daquela nossa amiga próxima, a Literatura, mostrar sua digna opinião e por um dia qualquer vir cheio de marra dizendo que o que EU faço é coisa de gente que não tem o que fazer, que EU me acho o máximo dentre minhas teorias, que EU digo coisas mirabolantes daquele livro ali que... enfim, que EU faço é complicar as coisas e levantar a crista. Amigo, você ainda não viu, mas você é só uma parcela de algo bem maior, de algo que os viabiliza de escrever essas opiniões. Eu. 
Minha amiga Literatura tem mais esperança que eu, mas aí, é ela que está na apreciação do boca-a-boca, da palavra-por-palavra, e eu aqui... sendo esculachada. Fala sério, vocês acham que estão fazendo o quê mesmo? Tá pensando que crítica é só pra academia, é? Há, vocês estão dando o gostinho bom pra pessoa errada... não reclamem se vocês são discriminados, tem que saber usar as coisas a seu favor. E, principalmente, parar de atacar aquele que está lá apenas pra auxílio.


Não me tenham mal, não estou jogando as pedras de volta em vocês, só estou dizendo que todos querem e usam um pouco de mim, e eu deixo. Mas se é pra dizer que eu falo baboseira, pare de fazer suas críticas também, porque, seja em ensaios, resenhas, artigos, você está fazendo o mesmo, ainda que se passe por superfície. 

Enquanto você fica aí me bisbilhotando, seu stalker, eu vou ali ajudar uns amigos das áreas vizinhas. Vou levando meu portifólio pra todo caso - sou muito requisitada, caso você não saiba - com muitas folhas e páginas de fenomenologias, hermenêutica, recepcionismo, impressionismos, existencialismo, marxismo, sociologias, formalismos, estruturalismos, estilística, biografias, linguística, psicanalismos, histórias, psicologias... enfim. 
São muitas teorias, verdade, às vezes tão cansativas. 
Porém, quando estamos movidos pelo interesse é por elas que vamos procurar. Eu sou a ponte, e não saio necessariamente da universidade para levar isso aos meus amigos. Esse caráter elitista não fui eu quem inventou.

E uma coisa eu friso, você sabe que eu adoro uma discussão. Então, mano-a-mano, vamos conversar.

You know you love me

Crítica Literária.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Selo - a 'thank you' note =)


Recebi este selo do blog Palavra Sonhada


Regras:
1. Repassar o selo para (uns)* blogs e visitá-los;
2. Responder as seguintes perguntas:

- 10 coisas sobre mim?
01. Sempre me dá branco quando me fazem esse tipo de pergunta 
02. Ora muito distraída, ora muito concentrada
03. Uma pista me basta para criar altas viagens
04. Falar besteira faz parte do 'plano'
05. Detalhista - observadora - analítica - crítica
06. Questionar as coisas já me é uma atividade inconsciente
07. Sempre à espera de uma boa filosofia
08. Trilhas sonoras do dia-a-dia fazem toda a diferença  
09. Beleletrista: uma admiração pelo arranjo de palavras e seus efeitos
10. Nada ou tudo a declarar

- Humor? 
Previsivelmente imprevisível e vice-versa.
- Cores favoritas?
Azul, verde e preto. 
- Um seriado?
Friends
- Uma frase ou palavra dita por você?
'Nunca se sabe...' - 'O ponto que a humanidade chega...'
- O que achou do selinho?
Muito bem-vindo o/

~~ uns Blogs indicados

*uns blogs
o meme original dizia 15 blogs.
(A viagem começou)
E sendo meme, por onde passa, chega, deixa marca (selo), copia, modifica-se, adapta-se...
Então preferi deixar aberta essa opção XD

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Lírico bem-vindo - agradecimento

Estava de passagem quando li um post da @Nessabyme, Devaneios de bar: Bolero parte 1


Aí que vem uma frase na cabeça...
E a projeção se forma.

Relatei o caso nos comentários e veio a surpresa: virou um post - Devaneios de bar: Bolero parte 2 (A garota da mesa ao lado).


Esse é meu "obrigada" =)



Palavras legítimas e os outros – a paranoia

Entre muitas leituras e discussões, de frases e frases soltas por aí, alguma vez ante um livro você já se perguntou se, aquilo que foi lido, era legítimo do autor?

[Trechos aleatórios]
“Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.” – Quincas Borba, M. de Assis.

“Quanto a mim, só me livro de ser apenas um acaso do destino porque escrevo, o que é um ato que é um fato.” – A Hora da Estrela, Clarice Lispector.

“Foi preciso que eu fracassasse como pianista para que o escritor que morava dentro de mim aparecesse.” Se eu pudesse viver minha vida novamente..., Rubem Alves.

“E tenho que ser lógica para entender minha própria confusão. Ser ao mesmo tempo o veneno e o antídoto.” – Divã, Martha Medeiros.

Grande é nossa admiração pelos autores e escritores em geral. Falam cada coisa que parece que direciona pra a gente, que conclui aquilo que você mesmo não conseguiu colocar em belo arranjo textual, que pinta toda a cena que não conseguimos descrever.

Mas... e se não foi ele?

Wait, what?

Yeah, hora da paranoia.
Não dá pra saber se foi o autor que, no seu momento único do fluir da escrita, escreveu aquilo que tanto se repete, se faz referência e se credita. Palavras legítimas?


Quando se trata de uma produção editorial, o livro “manuscrito” chega de um jeito, fechado pelo escritor, e sai de outro, fechado pelo grupo editorial. Do longo processo, passa de mãos em mãos, é analisado bonitinho, detalhado ao máximo desde a capa ao último ponto final da história. E dentre essas análises, um errinho aqui, uma incoerência acolá, “fica melhor desse jeito”, “o que você acha disso assim?”, “essa colocação ficou estranha”, “tá faltando clareza”, “especifique mais”, “não combinou”, “não sei o que tá faltando nessa sentença”, “procura um sinônimo”; “isso não fez sentido”, “corta isso”... Isto é, sintetizar em meras páginas o que se quer dizer requer revisão, cortes e recortes. 
É o famoso “inscrever e apagar”.
- Se você faz isso pra entregar um simples trabalho valendo aquela linda nota, imagine um livro que vá “rodar” o país e, que, quem sabe vá conquistar o mundo lá fora.

Não basta ter uma inspiração para escrever, é preciso muito suor para chegar aonde se quer chegar. Assim, poucos pensam, percebem ou imaginam o quanto o escritor teve que crescer em questão de escrita e expressão de si a tal ponto de não vermos todo o trabalho que ele teve com o livro. Da mesma forma que não sabemos dos bastidores daquela peça legal e os ensaios, que, para a produção, às vezes parecem ser mais gratificantes que a própria estreia.

Pra mim existe então uma história inicial, uma história de produção e a história propagada. É exigência do ofício.

Os outros
Costumamos creditar ou escolher uma figura de referência a algo que gostamos, reunimos o todo num só que não complique [metonímia?]. Mas quem está por trás disso tudo que nos é apresentado? Nos livros não “sobem letrinhas” como nas entradas de programa ou fins de filme, não existe câmera que mostre suas caras.
Eles estão aí andando do nosso lado e nem sabemos.

Exigências do ofício?

Considerem. Pensem.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Um mergulho em Austen


Austen, Jane Austen. Não é um lugar; porém, praticamente se torna aos olhos de srta. Price.

Lost in Austen é uma minissérie de comédia, de 4 episódios, que retrata uma mistura de ambientes, o britânico do século XIX e o britânico do século XXI num encontro de 'realidade' e 'ficção'. 
Conhecemos Amanda Price, uma mulher moderna e independente que, desde que conheceu o livro Orgulho e Preconceito, mergulha intensamente na leitura. Em escape, dispensa amigos e o quase noivo por uma dose de vinho, orgulho e preconceito... Como muito acontece a quem lê o livro, vê Darcy, Lizzie e toda a turma daquela sociedade. 


"Eu li tantas vezes que as palavras já fluem na minha cabeça como um janela ao ser aberta. Parece que realmente estou lá. Se tornou um lugar que eu conheço tão intimamente, posso ver esse mundo, posso tocá-lo. E posso ver Darcy."

Um dia, frustrada por ter sido interrompida durante mais uma leitura pelo seu namorado, que a pede em casamento em um arroto de bebida, srta. Price se vê numa alucinação: Elizabeth Bennet estava no seu banheiro. Bebeu vinho demais, pensa. "Muito Austen na cabeça". Mas...

"Eu não amo Darcy. Eu amo a história de amor. Amo Elizabeth Bennet. Amo as maneiras, a linguagem, a cortesia. É parte de mim e do que eu quero. Quero dizer que tenho padrões."

Elizabeth Bennet reaparece no banheiro. Amanda resolve encarar e conversar com a tal aparição e descobre que tudo que ela sabe da história ainda não aconteceu...para Lizzie. A  história estava no início, quando em Longbourn começava a se falar dos visitantes ricos e solteiros que alugaram uma casa nas proximidades. Lizzie mostra o portal por onde entrara, no fundo do banheiro do apartamento da Amanda que dava nos fundos da casa de Lizzie, região onde só os criados passavam. Estarrecida, Amanda atravessa e se vê maravilhada com tudo o que toca, sente quão real... contudo, era demais pra si mesma, era melhor voltar pra casa... Quem disse? Ela ficou presa.

Apresenta-se ao patriarca sr. Bennet como amiga da Lizzie e embroma que elas fizeram um tipo de troca. Lizzie ficou no seu lugar para poder se dedicar a um livro que começara a escrever e srta. Price ficaria por lá enquanto isso. 
Ela chega "chegando": calça, bota, bata e jaqueta, atraindo a atenção das srtas Bennet, irmãs de Lizzie e, sem querer, a de Charles Bingley. Amanda conquista logo o desprezo da sra Bennet, mãe preocupada em casar as filhas, que vê na hóspede uma espécie de ameaça não podendo se desfazer dela por causa dos hábitos de hospitalidade da época. A história recomeça e, por causa da entrada da srta. Price, ruma para lados que Amanda não consegue controlar.

Situações engraçadas e de choque de realidade são o destaque da série. Como diria srta. Price, nem mesmo Austen poderia imaginar os rumos e atitudes que uma vez descrevera. No entanto, estão lá estampados o caráter dos personagens, os costumes daquelas pessoas reagindo de acordo com as surpresas e trazendo mais do que pudemos ver no original Orgulho e Preconceito, tanto do livro, quanto dos filmes.

Vale destacar o correr de muitas personalidades:

  • Sr. Bennet
Patriarca da família Bennet, conhece bem suas filhas e o interesse da mulher. Recebe bem srta. Price e vê nela não apenas uma hóspede, mas quase uma filha também. Defende seus propósitos apesar de não saber como lidar com eles. Logo ao fraquejar, ele se levanta e enfrenta os problemas. É uma figura de pessoa, amoroso e fácil de conversar.

  • Sra. Bennet 
Matriarca marcada pela futilidade social. Enquanto não casar as filhas com homens "decentes" (ricos e privilegiados) sofrerá de seus nervos. Amanda é para ela uma rival, vive dando ataques e esperando o melhor do casamento. Uma faceta nova mostra quando percebe que casamento não é tudo, principalmente se for um mal arranjo.

  • Jane Bennet
Quase uma princesa. Primogênita empurrada aos cavalheiros recém-chegados a Longbourn, especialmente Charles Bingley, com o qual nutre um amor. Por causa de uns problemas de interpretação, é afastada e, por conveniência de interesses e ganâncias da mãe, entrega-se (casa-se) em sacrifício à Collins, primo de seu pai que herdará a propriedade quando o patriarca morrer (ordem da sociedade, que não entregaria as posses às mulheres). Vê em Amanda a figura da irmã sensata que era Lizzie e com sua ajuda dá um jeito de ser feliz, graças a outros interesses e interessados da turma descrita por Austen.

  • Charles Bingley
Bato palmas pra esse cara. Inocente, se deixa levar por opiniões mais elaboradas, creditando a si mesmo como leviano. Pois era, Austen não deu-lhe muito potencial... Com as reviravoltas da estória, perder o amor de Jane não era algo aceitável. Revolta-se quando percebe que não deve se importar com a opinião dos outros e sim seguir o coração. Sua amiga Amanda deixa clara essa ideia, instiga um lado nele que faria Austen se remexer onde estivesse.

  • Caroline Bingley
A 'vaca' chata da história. Imagem é tudo o que se preocupa e sentimento é algo que deve ser esquecido... Inconveniente e dura, apresenta um lado inimaginável por Austen, chocante para Amanda e para todos os telespectadores. Mostra que nunca se sabe o que pode ter debaixo de tanta riqueza...  

  • Collins
Asqueroso homem. No original é um palerma, chato e pau-mandado de uma senhoria Lady Catherine, a 'vaca' mandona da história. No filme continua o mesmo idiota, mas nesse caso... Austen fez bem em se manter longe desse cara. A vontade que nos dá de se afastar ou mesmo bater nesse homem é grande, mesmo sendo da ordem religiosa. Para ter o respeito do que faz, precisa de uma esposa. É essa ordem que prejudica e salva as mulheres da série.

  • Charlotte
Pouco potencial oferecia à Austen. Melhor amiga de Lizzie, se encontra perdida e sozinha em sua ausência. O pouco foco que recebeu da escritora foi mais reduzido aqui... no entanto, batalha em busca da felicidade, mesmo que tenha que procurar em outro lugar; não apenas se entrega ao que era ditado pela sociedade. Seu papel é importante por mostrar a independência feminina.

  • Wickham
Por incrível que pareça, esse foi um dos melhores personagens. Talvez o mais odiado pelos fãs de Orgulho e Preconceito, Wickham é um militar muito do educado e de singular personalidade; é uma reviravolta em si. Pretensioso, claro, deixa Amanda e os telespectadores bem surpresos ao desempenhar um papel tão... inacreditável. Austen deixaria um pouco do seu deboche, riria muito e diria que é um ser adorável.  

  • Darcy
Como posso falar de Darcy? 
Assim como Lizzie Bennet em Orgulho e Preconceito, ele acha que tem o dom de entender as pessoas e que sua opinião deve valer mais do que qualquer outro que não tenha seu entendimento de mundo. Quando contrariado, reprime o que a razão desconhece e preza pela ordem... isso até Amanda chegar e bagunçar suas ideias. 
O futuro encontra o passado e o embate sempre ronda o costume que torna a criticar. Não é uma figura fácil de lidar, tem a frieza, a dificuldade de se relacionar e a facilidade de fingir ignorar como grandes potenciais para incríveis discussões. Isso tudo para com alguém de fora de seu círculo de amizades e família, pois com eles é a melhor pessoa possível. 
E acima de tudo, é stalker... no livro, no filme e na série. Esse mistério que paira em seu comportamento fechado que lhe dá graciosidade, mas também irrita que é uma beleza. 

  • Elizabeth
- Nasci na época errada, srta. Price. Época errada e lugar errado.
É o que Lizzie Bennet declara ao reencontrar Amanda Price e acredito que isso a resume muito bem. Como já se mostrava no livro, Elizabeth é uma mulher de independência, ativa, irônica, analítica... Austen se realiza nela como a personagem deslocada. Contrária aos costumes e muito crítica, batia o pé pelo seu lugar de direito e opinião, coisas da mulher moderna e trabalhadora. É firme em suas decisões, orgulho do pai; é nele que toma forças para seguir em frente com seus propósitos. Faz da troca com srta. Price uma escolha perfeita.



- Tento não julgar as pessoas que não conheço.
- És uma filósofa, srta. Price. Gostaria de ser como tu.
- Certamente te beneficiarias de alguma ocupação de algum tipo. Não tens função, sr. Darcy, nenhum propósito. 
- Claro que não, que ideia repulsiva. Esta é a razão de ser da sociedade. Devemos ser vistos desocupados.

Mergulhe em Lost In Austen, seja uma Amanda Price.
E claro, ria muito.